O Protetor

Título Provisório, assim como o nome do personagem.

A ideia ainda está se formando e estou fazendo uns esboços para a minha mais nova história. Espero que gostem de Ortis Savajhe, um protetor, nem bom, nem mal, apenas incisivo em sua missão.

O Protetor

Em uma manhã chuvosa, Ortiz Savajhe, foi escoltado até a sala de reuniões por quatro dos guardiões da Organização. Sabia que iria começar mais uma etapa da sua existência, porém estar ali não lhe causava nenhum tipo de emoção.

A sala era enorme, tão suntuosa quanto todo o restante da construção. Grandes vitrais respingados pela água da chuva deixavam a iluminação acinzentada daquele dia penetrar no ambiente. Em uma longa mesa de maneira escura, estavam sentados os três anciões que decidiriam seu futuro. Ficou aguardando em pé, no meio da sala, sendo observado por aqueles homens, até que um deles se dispôs a começar a falar.

– Tem consciência do por que está aqui?

– Sim.

– Imagine que não conhecemos sua história e responda quem é você.

Sem seu rosto demonstrar nenhum traço diferente em sua expressão, Savajhe começou.

– Quem eu sou? Pergunta interessante. Às vezes nem eu sei mais quem eu sou na realidade. O que posso dizer é quem fui. Fui criado para ser um protetor, um cão de guarda ou um mero cão de briga, como alguns me chamavam. No reinado de meu Mestre, eu fazia parte de uma escolta muito bem treinada, que protegia a saída.

“Quando invasores querem atacar um reino, geralmente vão pelos portões da frente ou diretamente nas torres de segurança, mas quando sabem realmente o que fazem, procuram os pontos fracos, para só depois atacarem. Muitos reinados foram tomados pelos portões dos fundos e meu Mestre sabia disso.

Enquanto uma maioria fazia a guerra na entrada, um grupo de elite se infiltrava e tomava o castelo, matando o Rei e seus aliados mais fortes. Para evitar que isso acontecesse, naqueles tempos de guerra, ele montou uma equipe extraordinária, só para cuidar desta parte.

Não fazíamos parte do reinado, pois nosso lugar era do lado de fora, guardando as costas do castelo. Ali, aprendi tudo o que sei. Lutávamos por nossa sobrevivência dia a dia, utilizando qualquer meio disponível e isso incluía armas, combate corpo a corpo ou ataques energéticos.

Durante anos, fomos atacados por todos os tipos de seres. Por isso, posso te dizer que um cão do inferno jamais conseguiria me provocar um único arrepio. Mas meu Mestre, meu criador, sucumbiu a um desses ataques.

Um dia, sua cabeça foi jogada a nossos pés. O ataque frontal foi bem sucedido e nós, que ficávamos do lado de fora, nem vimos o que aconteceu. Meu grupo foi separado e ficamos presos por alguns anos, pois não éramos de confiança do novo Rei.

Por que não atacamos quando vieram esfregar em nossas caras a derrota? Um cão de briga é treinado para atacar o que vem de fora e quer entrar a força, mas não quem vem de dentro. Naquela época, éramos puramente instintivos e sem nosso Rei, não tínhamos o porquê de lutar.

Eu tinha certeza que passaria uma eternidade preso naquela masmorra, mas um dia, recebi uma visita inesperada. A nova Rainha precisava de guarda costas e escolheu alguns de nós. Fazia questão da sua guarda ser feita por homens que não eram leais a seu Rei, já que os rumores diziam ele tinha tentado matá-la três vezes. Claro que tudo não passava de suspeitas, pelo menos era assim que o assunto era tratado.

Minha Rainha era uma mulher muito inteligente e forte, além de ser linda. Em pouco tempo me apaixonei por ela, lutando em seu nome por anos a fio. Muitos foram os inimigos que eu coloquei a seus pés, inclusive o Rei.

Nesta época, fui um de seus amantes, mas sempre soube qual era o meu lugar na vida da Rainha. Eu era seu protetor e independentemente de qualquer coisa, minha vida estava a disposição de suas ordens e da sua segurança.

Depois de alguns anos, minha Rainha casou-se novamente. Nosso novo Rei era um homem de guerra e em dez anos tinha conseguido expandir o reinado em três vezes seu tamanho. A equipe da qual pertenci foi novamente reunida e fomos mandados para o campo de batalha. Era notória que sua intenção era afastar da Rainha todos os possíveis amantes, mas como a ordem também partiu dela, eu fui.

Não preciso descrever os horrores de uma guerra, mas posso dizer que éramos o causador de muitos desses horrores. Perdemos alguns amigos, mas foram poucos se vocês contarem com o tipo de coisas que fazíamos.

O reinado expandiu de forma peculiar, mas quando se tem muito, mais se quer. O Príncipe herdeiro, apesar de novo, contraiu matrimônio com a Princesa de um reino aliado e parte de meu grupo foi designado para lhe acompanhar. Posso dizer que muito poder somado com a imaturidade de um ser, só pode dar errado.

Meu jovem Rei era arrogante e prepotente. Por sua causa, nos enfiamos em inúmeras situações ruins e quando ele caiu, nós caímos também. Por mais que tivéssemos lutado em seu nome, mal ele vencia um desafio, já estava metido em outro. Era impossível nossas espadas conseguirem acompanhar sua ganância.

No último instante, a vida de meu Rei foi poupada. O pai intercedeu por ele e uma grande negociação foi feita. Eu e meus companheiros fomos banidos para diversos planos, a fim de pagar por nossos crimes de guerra. Nunca entendi o porquê meus feitos terem sido chamados de crimes, pois eu cumpria as ordens do meu Rei, mas já que ele estava em segurança, eu não poderia reclamar muito, pois afinal, falhei.

Essa foi a única maneira que encontrei para poder seguir em frente. Em um plano diferente do meu, eu não tinha mais um Rei ou uma Rainha para obedecer, então não tinha mais propósito. Fui tratado com um escravo e não como um guerreiro.

Confesso que levei algum tempo para entender a sistemática dos seres que executavam minha pena. Certo dia me irritei e dizimei uma quantia considerável desses seres, pois já que eu tinha que pagar pelos meus atos, que meu algoz fosse alguém que, pelo menos, tivesse mais força do que eu.

Acabei me tornando um problema, já que todos que tentavam se opor contra mim, eram derrotados. Porém, mesmo assim, eu não tinha o mais importante, um propósito. Não demorou muito e alguns seres vieram me procurar e depois de um longo tempo de batalha, finalmente conseguiram me derrotar. Fui trazido para este plano atual e aqui comecei a pagar minha tal pena.

Diferente de um escravo, fui tratado como um guerreiro que sou e isso me deixou menos agitado. Porém, sempre me perguntei uma coisa, se estou aqui para pagar por meus crimes, como posso fazer isso cometendo outros? Aprendi que tudo é questão de ponto de vista.

Vocês dividem o bem e o mal em categorias distintas e mesmo que se façam coisas ruins, desde que seja em nome do bem, é aceitável. Eu chamo isso de hipocrisia, mas não estou aqui para julgar e sim para terminar de cumprir minha pena.”

Daquele dia em diante, Savajhe foi incorporado à Organização.

 

{PS: Foi detectado um problema na caixa de comentários e já estou verificando o que pode estar ocorrendo. Peço desculpas pelo inconveniente.

Se quiser deixar seu comentário a respeito de Savajhe, peço que post na aba “Graziella”.}


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